domingo, 29 de abril de 2018

Adeus, Walter [Livro, Parte 1.1]

Adeus Walter Parte 1.1 Samuel Oranjee Blu

Samuel Oranjee Blu
Adeus, Walter
www.samueloranjee.com

Postagem temporária
2018 © Samuel Oranjee Blu

Esta postagem é uma parte do livro "Adeus, Walter" (com escrita ainda em andamento), dependendo da popularidade, as partes sequenciais podem ser publicadas em breve.


Prólogo
... Quia peccavi nimis cogitatione, verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa [Pequei por pensamento, palavras e omissões: por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa], recitava repetidas vezes a versão resumida de Confiteor.
O mantra sussurrado tornava a atmosfera pesada até mesmo para o que acontecia ali: A cada "mea culpa", empurrava comprimidos goela abaixo. Até que o jovem, Walter, não aguentou mais o peso de seu corpo e, caído no chão, soltou seu último suspiro.
Em seu rosto angelical era possível ver toda inocência do mundo.
...

PARTE 01.1 – CADÊ VOCÊ, WALTER?
— Senhor? 
Não houve resposta. Ele não esperava que houvesse, já estava acostumado a ser ignorado. Mesmo assim, repetiu:
— Senhor?
Não adiantaria chamar outra vez. A pressa repentina, que o desconhecido teve para sair dali, confirmava que Julius foi ouvido.
Ainda estava escuro naquela manhã de domingo e o tempo nublado obrigou Julius a se agasalhar. Provavelmente, as roupas que usava marginalizavam sua aparência. Vestia moletons velhos e escuros, o frio tornou o capuz indispensável. Se sua mãe tivesse visto, provavelmente não o teria deixado sair de casa daquele jeito.
Ali, iluminado apenas pela luz da faixada da farmácia, observou o carro com uma carroceria acoplada virar a esquina com certa dificuldade e, logo, apanhou o objeto que o desconhecido deixou cair: Algumas notas envolvidas em uma receita médica.
Para Julius, não importava o valor. Ele re-embalou o dinheiro, guardou no bolso, subiu em sua bicicleta e saiu em disparada. Saindo do estacionamento da farmácia, virou a esquina e pedalou pela Avenida Brasil. Os primeiros raios do sol surgiram, quando Julius avistou a carroceria desaparecendo no final da ladeira. Seguiria aquele carro até devolver os achados, apesar de ter saído de casa só para comprar pães.
O carro finalmente parou em frente a uma casa, mas o desconhecido não desceu.
Já cansado e suando, Julius aproximou-se do lado do motorista e viu o vidro da janela subir rapidamente. Dentro do veículo, um homem caucasiano estava apavorado ao telefone. Foi quando percebeu que ainda usava capuz e o retirou, revelando seus 15 anos de idade. Talvez aquela atitude acalmasse o pobre amedrontado. Só então, sorriu e gesticulou que gostaria de conversar, sem muito sucesso.
Não era a primeira vez, nem a última, que Julius Oliveira era julgado e condenado antecipadamente pelo simples detalhe de possuir a pele negra. Descendente de imigrantes africanos costumava ouvir do seu avô o quanto foi surpreendentemente negativo sua descoberta do preconceito racial no início do século XX, quando chegou ao Brasil.
Sempre que sofria racismo, lembrava-se do seu falecido avô. Mas sua lembrança dissipou-se ao ver o garoto loiro sorridente que saiu da casa. Julius o conhecia de vista, seu nome era Walter. Ele não era um garoto qualquer, era o Pequeno Príncipe da vida real... Não somente pela sua beleza, mas simpatia. Apesar de nunca terem se falado, o sorriso sincero de Walter cativou Julius há algumas semanas em uma loja de roupas.
— Bom dia! – Falou Walter aproximando-se surpreso, mas ainda sorrindo.
— Bom dia! – Respondeu Julius e também sorriu.
Julius sentiu que havia necessidade de se explicar e foi logo tirando o embrulho do bolso, mas, antes de abrir a boca, o homem rapidamente saiu do carro.
— Ah, era isso? – Questionou o homem nervoso, quando reconheceu o embrulho que puxou contra o peito. – Obrigado, mas não precisava.
Aquela atitude deixou Walter Curioso.
— O que é isso, padre?
— Nada, Walter. Vamos? – Apressou-o.
Walter ignorou sua própria curiosidade e entrou no carro junto com o homem, que agora Julius sabia que era um padre e isso explicava os tantos adereços que decoravam o interior do veículo. Apesar dessa descoberta não sanar a curiosidade do garoto ignorado.
— Para onde estão indo? – Perguntou Julius.
— Para o Chalé Paraíso, estou indo ajudar n...
O ruído do motor ligado e as janelas fechadas abafaram a resposta de Walter, que foi associada a carroça de mudança. Ele ia ajudar o padre em sua mudança.
O carro distanciou-se e Julius ficou para trás com sua bicicleta. Observou mais uma vez a casa de Walter e viu uma garota gordinha apontando freneticamente para o chão, onde reencontrou o embrulho.


CONTINUA...
Acompanhe o autor no Instagram: https://instagram.com/samueloranjee/

8 comentários:

  1. Você tem talento, gostaria de ler o segundo capítulo.

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  2. Gente, que embrulho é esse? Fiquei curiosa...Não sei porque achei esse padre suspeito...Aguardando o próximo capítulo.

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  3. Já quero ler o segundo capítulo, adorei hein? 💙

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  4. Oi Samuel! Confesso que fiquei curiosa sobre o pacote e sobre o que era a ajuda. Continue sim a sua história, porque você tem talento. Sucesso! Beijos

    https://almde50tons.wordpress.com/

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  5. Ola Samuel
    Em primeiro lugar meus pArabéns pelo projeto e estamos a espera doa próximos capítulos, livros e assim vai.
    www.robsondemorais.blogspot.com.br

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  6. Buenas, que legal...tava já embalando na história mas já que ela se dissipou por hora, que sua continuação venha e com muita energia positiva. Parabéns e muita paz!

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  7. Olá! Primeiramemte parabens pela sua escrita, ela instiga a querer continuar lendo sua narrativa.. Achei bem interessante e fiquei curiosa com o comportamento dos personagens!

    Beijos,
    Conta-se um Livro

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  8. Oi Samuel, tudo bem?

    Primeiramente, parabéns pela iniciativa de começar a colocar a sua história no papel (ou computador), isto por si só já é um passo muito importante. Gostei do tempo da sua escrita e a forma como você narrou e fiquei querendo mais. Espero que possa postar mais alguns capítulos para nós, leitores.

    Beijos!

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